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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Amanheci fora de mim

Como amanhecer eu mesma? As pessoas não querem ver as minhas interioridades...querem pessoas sempre sorrindo nas manhãs, esboçando uma densa alegria mesmo que forjada, querem largos abraços, mesmo que falsos, querem pessoas de aço, sem mistérios, sem fragilidades, sem tristezas, sem véus de dor, de traumas, de dissabores e por grandes e irreparáveis perdas.Como ser eu mesma num mundo de aparências e conveniências? Onde é chato ser autêntico, onde é desagradável transparecer o seu lado intrínseco, onde atrapalha sua doença, onde é desconfortável suas lágrimas e queixumes.Onde irei amanhecer eu mesma? Onde serei então verdadeira? Que sociedade então fraterna é essa? Onde você não pode se desnudar, onde você não pode se impor, quando defende com
unhas e dentes seus pontos de vista.Onde você não pode dizer o que sente verdadeiramente, de um
modo geral, porque poderá ser motivo de críticas, de ironias, de compaixão.Me diga uma coisa você, leitor, onde poderei ser verdadeiramente eu???
(Rachel K Alves)


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