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quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Poema é um punhal de fogo, que rasga a alma, abre as entranhas, seca a garganta,
e solta todos os pássaros acorrentados do meu ser.
(By Rachel KeKa Alves)


Ao som das operas de Wagner, abro as asas do coração, feito um pássaro de fogo que
incendiou-me a alma como um poema.
(By Rachel KeKa Alves)


DAS TRINCHEIRAS ESQUECIDAS

O rito, o mito,
punha e dispunha,
a unha cravava
a força invisível
nas minhas palavras
o ópio da vida!

As mãos que movimentam
a inspiração
que escorrem pelos dedos
amordaçados pela dorpelo destino, hino de
notas melancólicas em bemóis.

A palavra é a espada
de reis que impunham
coragem voraz, a
penetrar-lhe nos pulmões
de aço, com traços
das trincheiras esquecidas...
vividas...sentidas...
estilhaçando a alma!

Rachel KeKa Alves

Amanheci fora de mim

Como amanhecer eu mesma? As pessoas não querem ver as minhas interioridades...querem pessoas sempre sorrindo nas manhãs, esboçando uma densa alegria mesmo que forjada, querem largos abraços, mesmo que falsos, querem pessoas de aço, sem mistérios, sem fragilidades, sem tristezas, sem véus de dor, de traumas, de dissabores e por grandes e irreparáveis perdas.Como ser eu mesma num mundo de aparências e conveniências? Onde é chato ser autêntico, onde é desagradável transparecer o seu lado intrínseco, onde atrapalha sua doença, onde é desconfortável suas lágrimas e queixumes.Onde irei amanhecer eu mesma? Onde serei então verdadeira? Que sociedade então fraterna é essa? Onde você não pode se desnudar, onde você não pode se impor, quando defende com
unhas e dentes seus pontos de vista.Onde você não pode dizer o que sente verdadeiramente, de um
modo geral, porque poderá ser motivo de críticas, de ironias, de compaixão.Me diga uma coisa você, leitor, onde poderei ser verdadeiramente eu???
(Rachel K Alves)